Parece bíblico mas não está na Bíblia

 Tenho observado o comportamento de alguns cristãos dentro da igreja, e a aparência diante de algumas dessas atitudes.

 A resolução de problemas conflituosos é um dos maiores desafios, principalmente no Brasil onde a cultura é ser agradável e receptivo, os relacionamentos interpessoais são mantidos em clima de festa. O problema disso é que evitamos fazer perguntas óbvias quando o outro erra conosco, em vez disso sorrimos e tentamos não confrontar, pois poderia gerar um climão e acabar com a festa, alguns já o fazem com essa intenção quando se deixa dominar por pensamentos malignos, mas existe a forma bíblica de lidar com situações adversas, brandura no falar, mansidão, domínio próprio, a exortação deve ser em amor, com o objetivo de ajudar o irmão a crescer e não humilhar, expor ou machucar o irmão. Um sinal claro de que estamos sendo carnais é quando ao invés de chegar no irmão pra resolver alguma questão, eu falo do problema com outra pessoa, isso faz com que a pessoa que escuta crie uma imagem negativa, e as vezes o que ocorreu foi um mal entendido, e o ato que produziu a mágoa não foi intencional, o que se resolveria em uma conversa. 

O dom de discernimento consegue fazer uma leitura dessas situações, é como se tirasse um raio X e ali aparece onde o problema começa. 

Certa vez ouvi Mama Jan contando que, certa mulher chegou pra ela e disse; eu te perdôo. Ela se assustou e perguntou; mas o que eu te fiz? A mulher disse que ela passou por ela e não a cumprimentou e isso gerou uma mágoa muito grande em seu coração que durou anos. Agora pensa só como Mama Jan poderia ter evitado essa situação se todos estão sempre a cercando querendo atenção? É impossível que ela consiga dar atenção pra todo mundo que queira. As vezes uma pessoa não cumprimentou porque está distraída ou pensando nos problemas. 

Se só pensamos o mal das pessoas, ainda que em algum ponto possa estar certo, mas significa que tem algo errado em nós . 

Temos o Espírito de Deus, e ele olha pra nós vendo sua imagem, mesmo quando escolhemos estar em uma posição que não foi a que ele planejou pra nós, ele nos avisa pela palavra, sinaliza através das consequências, envia servos que possam nos alertar. Infelizmente, mesmo assim, muitos permanecem no erro. As misericórdias de Deus não tem fim, mas a nossa vida tem. As consequências de nossos erros não são agradáveis, mesmo porque se fossem, pra quê precisaríamos fazer o que é correto? Mas agir mal, significa que de uma forma ou de outra vamos ferir alguém.  

Sorrir na frente para falar atrás é um costume totalmente reprovável, disfarçado de “não quero magoar” , mas na verdade é não quero confrontar, e principalmente, não quero ser confrontado caso eu esteja errada, e na maioria das vezes, estamos errados, uma conversa poderia expor isso. Quando a pessoa tem o coração quebrantado, contrito e humilde, ela consegue falar abertamente do problema com o intuito de resolver a questão, e o mal entendido pode ser esclarecido, todo o conflito acaba e o amor prevaleceu. Manter a boa convivência na igreja não deve ser confundido com evitar falar dos problemas, é claro que tem pessoas que não aceitam uma conversa como essa de forma positiva, nesse caso é melhor orar e interceder, jamais comentar do problema com outras pessoas. Vai ser a primeira ideia que aparece na cabeça, mas isso é um impulso maligno resquícios de comportamentos mundanos, devem ser renovados com a solução bíblica. Jamais falar abertamente, e sim trazer o irmão e conversar diretamente.

Outro aspecto dessa questão é quando não existe o problema de fato, ele começou na sua cabeça, na tentativa de adivinhar o que o outro está pensando. Essa é a hora onde o inimigo cria contenda do nada, ele planta a mesma discórdia na cabeça de várias pessoas, quem está vigilante, questiona o pensamento, mas como muitos vivem alheios e distraídos, germinam a ideia, nos tempos antigos mulheres morreram por causa disso, assasinadas pelos próprios líderes de comunidade por pensarem que seriam bruxas. E por incrível que pareça essa barbárie continua até hoje, só por causa de ideias implantadas na cabeça de homens ímpios. A igreja deveria estar livre disso, mas infelizmente não cresce por conflitos que poderiam ser evitados, primeiramente, questionando os próprios pensamentos e comparando com a realidade, comparando consigo mesmo, porque a maioria de tudo o que julgamos nós mesmos os cometemos e nem sequer pensamos em arrependimento pra isso. 

Se caso houve de fato uma atitude que mereça a exortação, isso deve ser feito a parte somente com a pessoa. E caso a pessoa não esteja madura suficiente, interceder com oração. Se a situação estiver sufocante, deve sim falar com a pessoa, e caso ela não aceite, mas observe os argumentos e pondere se o erro não estava com você. Muitas não temos coragem de falar com a pessoa porque pensamos que ela não vai aceitar, isso é tentar adivinhar o pensamento. Mas se no final isso servir de combustível para ter o que falar numa roda de comunhão, aí já sabemos que o erro está com você. Isso define qualquer situação, usar a comunhão para falar mal das pessoas ou conta situações conflitantes que ocorreram é dar plateia pra satanás. 

Conseguir parar alguém que faz isso sem constrangimento piorando a situação é desafiador, uma dica seria mudar de assunto e falar de coisas boas. Eu mesma me vi em uma roda de conversa onde isso aconteceu, e sei que sobe uma dopamina estranha quando estamos falando de algo ruim a respeito dos outros, parece que embriaga. Acredito que falar mal dos outros nos dá uma falsa sensação que somos melhores que eles, é por isso que a dopamina sobe. Nos sentimos imponentes, juízes e superiores. Essa sensação foi a sentida por Eva ao achar que poderia questionar a Deus considerando ele como mentiroso. Ela é prazerosa e mortal, pois te induz a um caminho de escravidão, a medida que damos espaço para o diabo ele vai pegando mais, o domínio próprio é uma obra que, com nossas atitudes dizemos; aqui não diabo! 

Dou graças a Deus pelo ministério que sirvo, o líder e fundador desse ministério era zeloso e obediente da palavra, e era americano, para muitos brasileiros ele os disciplinava com muito rigor, apesar de o fazer com amor para o crescimento da igreja, o choque cultural também era outro fator, quando a comunidade questiona o erro, ela cresce e evolui, não é à toa que países de primeiro mundo tem regras e disciplinas de sociedade que quando não são respeitadas, há punição, as pessoas te chamam a atenção nas ruas. 

O que quero dizer com isso, a comunhão é um momento muito agradável, mas o relaxamento nos leva a tolerar a maledicência, facção e divisão. Devemos ter comunhão, estar juntos, mas em unidade de um só corpo, temos tantos milagres pra testemunhar, tantas coisas boas Deus tem feito em nossas vidas, porque gastamos o pouco tempo que temos para exaltar a malignidade, afinal quem estamos servindo? 

Graças a Deus pelo estrutura congregacional que nos obriga a ficar calados e assim cultuarmos só a Deus. Mas devemos estender essa adoração quando estamos na mesa também . 

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